| SANTOS E BEATOS LASSALISTAS |
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Apresentação
É impossível amar e tomar como modelo
quem não conhecemos. Por isso, aqui apresentamos alguns heróis
da Igreja. São eles, santos, mártires e beatos Irmãos
Lassalistas. Seja a vida destes Irmãos estímulo para
também nós seguirmos e criarmos caminhos de santidade.
Seguir as estrelas ao lado leva você a uma rápida síntese
da vida de cada um. Ou para saber mais a respeito de alguns destes
modelos de santidade clique aqui e verá uma biografia detalhada.
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Os
que ensinam os outros um dia como estrelas no céu brilharão
Dn 12,3 |
| SANTO IRMÃO BENILDO |
Patrono dos Promotores
Vocacionais e dos Acordeonistas 
Foi o Irmão Benildo (Pierre Romançon)
o primeiro Lassalista canonizado pela Igreja. Ele viveu a santidade
no cotidiano. Nasceu no povoado de Thuret,
perto de Clermont, na França, a 14 de junho de 1805. Entrou
na Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs
a 22 de junho de 1821, para preparação religiosa e pedagógica.
De origem campesina, o nome recebido, um tanto estranho (Benildo)
e sua compleição bastante franzina, não chamaram
muito a atenção sobre o novo Irmão, assim que
entrou no Noviciado. Passava até meio despercebido no meio
dos colegas. Mas, tirando forças de sua própria fraqueza,
chegou a se tornar um gigante de santidade, dia após dia, nos
curtos 57 anos de sua existência, passada em meio a problemas
de saúde. Teve uma vida muito
ativa, típica de um verdadeiro Irmão das Escolas Cristãs,
toda dirigida para Deus e para o próximo. Fazia as coisas "comuns
de uma maneira não comum", no dizer do Papa Pio XII, por
ocasião de sua exaltação pela Igreja. Modelo
em tudo e para todos, desempenhou as mais diversas funções,
como cozinheiro, jardineiro, professor e catequista. Inclusive foi
Diretor durante seus últimos vinte anos de vida, em Saugues,
numa escola recém-criada, em região bastante pobre.
O equilíbrio tão difícil
e invejável da oração com a ação
foi alcançado perfeitamente pelo Irmão Benildo e, em
conseqüência, sua vida resultou numa fecundidade apostólica
digna de registro. Sua influência sobre os alunos do Colégio
foi tal, que nos vinte anos de apostolado de Diretor, centenas de
rapazes abraçaram a vida sacerdotal ou a vida religiosa de
Irmão Lassalista. O Papa Pio XII,
ao perguntar-se pelo segredo de santidade de São Benildo, descobriu-o
na realização, dia após dia, do programa traçado
pelas Regras da Congregação dos Irmãos. Aliás,
o próprio Irmão Benildo já havia insistido com
os Irmãos de sua Comunidade: "Para ser santo, pouco temos
de fazer em nossa comunidade, é suficiente observar bem as
Regras." Por este seu amor à Regra, colocaram-lhe nas
mãos um exemplar, momentos antes de entrar em agonia; beijou
reverente o livro. O Irmão Benildo
foi excelente professor e zeloso catequista, destacando-se como apóstolo
da primeira Eucaristia, função que desempenhou durante
os vinte anos de diretor da escola. Apesar
da saúde deficiente, nunca se permitiu uma dispensa nas obrigações
diárias. Ao contrário, foi um lutador incansável
durante toda a vida, um homem de oração e de ação,
ao mesmo tempo, numa perfeita regularidade, sem trégua, nem
mitigação. Em face dos
trabalhos intensos e de sua dedicação, as forças
se esgotaram rapidamente em prol da juventude que ele realmente amava
e à qual consagrara sua vida, especialmente dos jovens pobres
e desamparados. Faleceu a 13 de agosto de 1862.
O Papa Paulo VI o canonizou a 29 de outubro de 1967. A festa de São
Benildo é celebrada na Igreja no dia 13 de agosto. Fulgura,
São Benildo,
Tua fé e teu amor,
Teu zelo tão humilde:
Por nós roga ao Senhor.
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| SANTO IRMÃO MIGUEL |
| O
Irmão Miguel nasceu em Cuenca, Equador, em 1854, filho de
rica família, foi, em seu país, um dos primeiros Irmãos
das Escolas Cristãs, os quais chegaram ao Equador em 1863.
No batismo recebeu o nome de Francisco Febres Cordero. Aluno dos
Irmãos, encantou-se com o trabalho e a dedicação
desses abnegados educadores e resolveu imitá-los.
Iniciou lecionando nas escolas de Quito.
Desde cedo se distinguira pelos profundos conhecimentos da Língua
e da Literatura espanholas. Face à carência de livros
didáticos, resolveu compor diversos compêndios, os
quais, inclusive, foram adotados oficialmente pelo Governo Equatoriano,
para todas as escolas públicas.
Foi chamado para integrar a Real Academia
Equatoriana e nomeado Acadêmico Correspondente da Real Academia
Espanhola.
As Leis de Combes haviam infligido duras
perdas para as escolas lassalistas da França, desde 1904.
Os Irmãos não poderiam mais exercer o apostolado específico,
nas suas escolas, e isso justamente no país que dera origem
à Congregação. Como solução,
a expatriação dos Irmãos era o único
meio viável. Deveriam atuar em países de língua
espanhola, foram necessários os conhecimentos desta língua,
falada em toda a América do Sul (exceto o Brasil) e em parte
da América do Norte. O Irmão Miguel em 1907 foi enviado
para a Europa e encarregado de ministrar-lhes os conhecimentos necessários.
Várias obras didáticas existentes em francês,
o Irmão as adaptou à língua castelhana.
Iniciou os trabalhos em Paris, passou para
a Bélgica e, finalmente foi enviado para Premiá de
Mar, em Barcelona.
Teve por trabalho o preparo dos jovens
religiosos que optassem pela América como campo de ação.
Continuou sua vocação de escritor, e os mais de 10
mil fólios testemunham a incansável dedicação
como professor e como literato.
Em Premiá de Mar viveu momentos
trágicos, em 1909 e por isso foi transferido, juntamente
com os 125 jovens, seus alunos, para Barcelona, pois o Colégio
de Premiá fora ameaçado de destruição
e de incêndio pelos revolucionários anticlericais.
Faleceu em Premiá de Mar, a 9 de
fevereiro de 1910.
Entre os documentos deixados, foram encontrados
seus títulos de Acadêmico da Real Academia do Equador
e da Espanha. Todos ignoravam a existência dessas condecorações,
nunca falara a este respeito. Sabia-se, contudo, que ele era um
exímio gramático, respeitado e profundo conhecedor
e que tinha diversas obras de gabarito publicadas. Tal atitude é
estranha numa época em que todos publicam aos quatro ventos
todos os títulos que possuem... "Acontece que o verdadeiro
sábio é humilde."
Alguém deveria fundar a ACADEMIA
DO CORAÇÃO. Como regra fundamental ficaria estabelecido
que todos os que quisessem pertencer à mesma, deveriam fazê-lo
secretamente... Não existe já, por acaso, a ACADEMIA
DOS HUMILDES, de coração enorme e cuja lista enriquece
a VIDA DOS SANTOS?
Irmão Miguel foi canonizado pelo
Papa João Paulo II a 21 de outubro de 1984. A festa do Santo
Irmão Miguel está fixada para o dia 9 de fevereiro.
O Irmão Miguel, com justiça,
deve ser considerado o Apóstolo da Primeira Eucaristia, para
a qual, pessoalmente, preparou milhares de crianças, durante
longos anos.
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| SANTO IRMÃO MUCIANO MARIA |
Nasceu
em Mellet, Bélgica, a 20 de março de 1841. Em casa recebeu
uma educação cristã exemplar, e desde menino
já era um modelo para seus colegas, especialmente por sua devoção
a Nossa Senhora, herdada de seus pais.
Terminados os estudos primários, iniciou o trabalho, auxiliando
o pai, que era ferreiro. Trabalho duro, mas ao qual se entregava com
muita dedicação e responsabilidade. Entretanto, pouco
tempo mais tarde, Deus o chamou para uma vida dedicada totalmente
ao serviço dos meninos, especialmente dos pobres, para os quais
sacrificou mais de cinqüenta anos de sua existência.
Aos quinze anos entrou no Noviciado dos Irmãos
das Escolas Cristãs, recebendo o nome de Irmão Muciano
Maria, no dia da Apresentação de Nosso Senhor ou Purificação
de Maria Santíssima. Após
os estudos, iniciou seus trabalhos apostólicos e de catequese
em Chimay, para logo ser transferido a Bruxelas. Pouco tempo durou
sua permanência nesta cidade; foi indicado para o grande Colégio
de Malonne, no qual trabalhou até a morte, ocorrida em 1917.
O Irmão Muciano muito sofreu durante
sua vida. Nunca conseguiu um domínio perfeito sobre seus alunos
e, em certa época, por muito pouco não foi despedido
da Congregação, como não servindo para o Magistério.
Mas, analisando melhor a situação, os superiores lhe
destinaram ocupações secundárias, como vigilância
nos pátios, lições elementares de desenho e de
música; assim mesmo, nunca revelou grandes aptidões
para estas ocupações e nem para as artes.
Sempre serviçal e muito obediente esforçou-se para aprender
a tocar piano, harmônio e outros instrumentos. No amor a Deus
encontrou forças suficientes para continuar nestas ocupações,
sem desanimar, pois não eram nada fáceis para ele. E
isso por mais de cinqüenta anos!
Como a Congregação fora fundada por São João
Batista de La Salle, em 1680, para os alunos pobres, o Irmão
Muciano solicitou permissão para dar catequese aos alunos do
Colégio anexo, gratuito, encargo que desempenhou com dedicação
extraordinária, fazendo descobrir a estes jovens as riquezas
da fé. O bem que realizou com estas pobres crianças
foi incalculável: estes jovens nunca esqueceram o belo testemunho
dado pelo Irmão Muciano. "A
grande característica do Irmão Muciano era a obediência,
que chegava às raias do heroísmo, em praticar exatamente
todos os pontos da Regra. Tomou a Regra e a partir do primeiro Capítulo
o Irmão Muciano observou todos fielmente. Este é o melhor
resumo de sua biografia". Assim escreveu um Irmão, colega
dele por muitos anos, no mesmo Colégio.
Os alunos, mesmo com os quais ele não tinha contato maior,
o admiravam e só o conheciam como o "Irmão que
reza sempre". Alguns o apelidavam "o Irmão do Santo
Rosário" (terço).
No final da vida, o Irmão Muciano declarou: "Que felicidade
a gente sente quando, perto de deixar este mundo, se teve uma grande
devoção à Virgem Maria". Foi essa sua última
mensagem, antes de falecer. Na manhã de 30 de janeiro de 1917,
ele entregava sua alma a Deus. Imediatamente a população
o invocou como um santo, pedindo proteção e ajuda. O
Papa João Paulo II o declarou Santo em 10 de dezembro de 1989.
Sua festa está fixada para o dia 30 de janeiro. |
| SANTO IRMÃO JAIME HILÁRIO |
Mártir
condenado só por ser religioso!
Manuel Barbal Cosan nasceu a 2 de janeiro de 1898 na localidade de
Enviny, perto de Urgel, Espanha. Sua infância se passou em ambiente
cristão, no difícil trabalho da lavoura, nas montanhas.
Antes dos treze anos ingressou no Seminário
Menor de Urgel. Mas, em virtude de uma dor de ouvido, doença
que afetou a audição, teve de abandonar a carreira eclesiástica.
Este problema de saúde seria uma das cruzes pelo resto da vida.
Em inícios de 1917 ingressou no Noviciado
dos Irmãos das Escolas Cristãs e dois meses depois iniciou
os estudos religiosos e pedagógicos, sob o nome de Irmão
Jaime Hilário. Terminada a preparação, dedicou-se
à vida de educador e de catequista, em diversas cidades da
Espanha. Mesmo com a doença que se acentuava sempre mais, desenvolveu
suas aptidões de maneira particular.
Em meados de julho de 1936, aproveitando um curto período de
férias, foi visitar os seus familiares. Entretanto, a 18 de
julho estourou a Guerra Civil Espanhola. O Irmão Jaime, nesta
oportunidade, se encontrava em Mollerussa; procurou refúgio
numa família conhecida. Mas foi preso e removido para o cárcere
público de Lerida e, em dezembro, foi enviado para Tarragona.
Ficou preso num "barco-prisão", com muitos outros
religiosos, entre os quais se encontravam seus antigos Coirmãos
de Mollerussa. A 15 de janeiro de 1937
foi citado perante o tribunal. Este lhe falou que constituísse
um advogado, a que o Irmão Jaime respondeu: "Não
cometi nenhum delito; não tenho necessidade de defesa".
Os colegas de prisão insistiam com ele para afirmar que era
simplesmente jardineiro do Colégio. Mas ele respondeu: "prefiro
dizer toda a verdade; eu sou religioso lassalista". O mesmo ele
fez dizer ao advogado que, aliás, foi indicado pelo júri.
Apesar de o mesmo requerer o indulto, este lhe foi negado ; 24 outras
pessoas conseguiram a liberdade. Somente ele foi condenado, pelo único
fato de ser religioso. A 18 de janeiro
de 1937, às 15h30, o Irmão Hilário foi fuzilado
no Cemitério chamado "La Oliva", em Tarragona. O
esquadrão de execução tomou posição
e o mártir rezava, com as mãos cruzadas sobre o peito.
À ordem de "Fogo!" os milicianos dispararam seus
fuzis. Mas a vítima ficou intata. Nova ordem e nova fuzilaria:
mas o condenado ficou de pé. Os soldados do esquadrão,
estupefatos e temerosos, largaram as armas e fugiram. O chefe, furioso,
aproxima-se da vítima, profere palavras injuriosas, e, à
queima-roupa, fez diversos disparos na cabeça do Irmão
Jaime. Este ainda teve forças para gritar: "Morrer por
Cristo é viver, meu rapazes!"
O Irmão Jaime Hilário, como religioso, era exemplar:
piedoso e fiel. Esta fidelidade, sua principal característica,
lhe inculcava uma grande estima pela Congregação. Fidelidade
à lealdade, à constância e ao apego à vocação.
Suas cartas aos familiares estão repletas destas idéias
e procurava comunicar esta fidelidade aos seus. Os escritos transpiram
uma vivência de profundo amor a Deus.
Foi beatificado por João Paulo II a 29 de abril 1990.
Foi canonizado pelo mesmo papa João Paulo II em 1999.
Sua festa é comemorada a 18 de janeiro. |
| SANTOS IRMÃOS MÁRTIRES
DE TURÓN |
Desde
1919, os Irmãos Lassalistas mantêm "juntos e por
associação", a Escola Nossa Senhora de Cavadonga,
na cidade de Turón, Espanha. Em 1934, oito Irmãos relativamente
jovens ali trabalhavam em situação bastante difícil;
a escola era gratuita e atendia os filhos dos operários das
fábricas. No ano anterior, as leis republicanas proibiram o
ensino católico e a catequese em todas as escolas. Com astúcia,
os Irmãos continuavam a obra, trabalhando como civis, burlando
a lei injusta. Mas foi por pouco tempo.
No início da vitória da revolução comunista
estava com a Comunidade o Padre Inocêncio da Imaculada, passionista,
que viera atender as confissões dos alunos, em preparação
à primeira sexta-feira do mês, o que aconteceria no dia
seguinte. De manhã, às
5h, os Irmãos se dirigiram para a capela conforme costume de
todos os dias e iniciou a Santa Missa. Pouco depois, muita gritaria
e golpes no portão e nas janelas deram a impressão de
que algo de sério estava acontecendo. O Padre interrompeu a
Missa e solicitou que os Irmãos consumissem todas as hóstias.
O Irmão Marciano desceu e se enfrentou
com uma turba de umas trinta pessoas, fortemente armadas. Sem nenhuma
autorização e com a maior sem-cerimônia, invadiram
o Colégio, entraram em todas as salas e quartos; reviraram
tudo e arrebentaram os móveis. Levaram as listas dos alunos.
Mas não encontraram armas e dinheiro, razão da invasão
do Colégio. O Padre Inocêncio e os oito Irmãos
da Comunidade receberam voz de prisão e foram levados, com
brutalidade, para a prisão, para a "Casa do Povo",
transformada provisoriamente em cadeia pública.
A Comunidade era formada por oito Irmãos: Cirilo Bertrán,
46 anos, Diretor; Marciano José, 33 anos; Vitoriano Pio, 29
anos; Benjamin Julián, 26 anos; Julián Alfredo, 31 anos;
Augusto Andrés, 24 anos, Benito de Jesus, 24 anos e Aniceto
Adolfo, com apenas 22 anos. O Padre Inocêncio, que estava de
passagem, contava com 47 anos de idade.
Ficaram quatro dias no cárcere e muitos outros religiosos e
católicos se juntaram a eles, especialmente jovens pertencentes
à Ação Católica. O chefe da revolução
resolveu dar uma lição ao povo e condenou os oito Irmãos
e o Padre Inocêncio à morte. Ele rejeitou o proceder
de seus colegas revolucionários de outras cidades que não
admitiram tal atitude extrema e injusta. Ele mandou abrir, no cemitério
local, uma vala de nove metros de comprimento.
No dia 9 de outubro de 1934, o próprio chefe, auxiliado por
alguns companheiros, foram à prisão, retiraram dela,
ainda de madrugada, os oito Irmãos e o Padre Inocêncio
e os levaram, em fila indiana, para a execução, na encosta
da colina, em frente à cidade. Todos foram enfileirados em
frente à vala, com rosto voltado para a cidade; a última
visão dos condenados recaiu sobre o Colégio, todo iluminado,
pois os fascínoras o haviam transformado em quartel da Revolução.
O pelotão atirou. Todos caíram. O chefe deu um tiro
de pistola em cada um dos caídos. Mandou que fossem sepultados.
Os Irmãos e o Padre se prepararam
muito bem para este momento, na prisão, pois a morte era uma
certeza. Um Padre libertado contou o que se passara na prisão!
Morreram por serem religiosos e professores cristãos. João
Paulo II os beatificou em 29 de abril de 1990. A festa é celebrada
a 9 de outubro. Foram canonizados em 1999 pelo mesmo papa João
Paulo II. |
| BEATOS, IRMÃOS E MÁRTIRES DE ALMERIA |
Apóstolos
da Escola Almeria, Espanha, contava em 1936 com dezenove Irmãos
das Escolas Cristãs: quinze atendiam ao Colégio São
José e quatro, à Escola de Las Chocillas. Sete deles
seriam escolhidos por Deus para receber a palma do martírio.
Entretanto, eles não sofreram o martírio na mesma data.
Vejamos: Na noite de 30 para 31 de agosto,
os Irmãos Edmígio, Amalio e Valério Bernardo
foram trucidados. A 8 de setembro, na
parte da tarde, foi a vez dos Irmãos Teodomiro Joaquim e Evencio
Ricardo sacrificarem suas vidas. E na
noite de 12 para 13 de setembro foram imolados os Irmãos Aurélio
Maria, Diretor do Colégio, e José Cecílio.
Na mesma oportunidade, fazendo parte do grupo
de Almeria, foram martirizados, na noite de 29 para 30 de agosto,
D. Diego Ventaja Milán, Bispo de Almeria, e D. Manuel Medina
Olmos, de Guadix. Todos formaram um único
processo e a documentação, com os testemunhos e o relato
do martírio, estiveram unificados desde o princípio.
Os nove partilharam dos mesmos sofrimentos na cadeia.
Outros Irmãos do Colégio também estiveram presos,
mas conseguiram se livrar da morte e, em geral, nunca se soube bem
o porquê. As principais características dos Irmãos
martirizados são: IRMÃO
AURÉLIO MARIA: era de bom caráter e alma simples.
Era bom professor e ótimo educador. O zelo pela salvação
eterna dos alunos animava seus catecismos e suas exortações,
especialmente a reflexão feita regularmente cada manhã.
Era ótimo religioso, prudente e estimava muitíssimo
sua vocação. Bastava vê-lo rezar para sentir-se
inclinado a fazer o mesmo. IRMÃO
JOSÉ CECÍLIO: era muito serviçal e extremamente
hábil nos trabalhos manuais. Tinha um prazer todo especial
em servir aos outros. Religioso obediente, piedoso, exato cumpridor
de seus deveres. O maior prazer que ele sentia era lecionar aos jovens
alunos, seja a religião ou as disciplinas profanas.
IRMÃO EDMÍGIO: já
como aluno era modelar. Como religioso podemos assinalá-lo
como uma pessoa realmente piedosa, prudente, trabalhadora e abnegada.
Sua piedade era manifesta e sincera. Tinha uma devoção
especialíssima ao Santíssimo Sacramento e à Via-Sacra,
assim como à Santíssima Virgem Maria. Ajudar aos jovens
Irmãos constituía para ele uma verdadeira caridade.
IRMÃO AMÁLIO:
era simples e de caráter serviçal. Procurava sempre
alegrar aos tristes. Como religioso era muito piedoso, humilde e fervoroso.
Interessado nas vocações sacerdotais e religiosas, aproveitava
todos os momentos propícios para despertá-las. Excelente
professor de alunos menores, os quais o tinham em grande estima.
IRMÃO VALÉRIO
BERNARDO: Exato cumpridor dos deveres religiosos e de professor.
Caráter alegre e simples. Admirável exemplo de obediência
religiosa. Muito interessado pelo progresso de seus alunos, especialmente
no campo intelectual e religioso, sem descuidar-se da pessoa humana.
IRMÃO TEODORO
JOAQUIM: Um jovem religioso afeiçoado à sua vocação,
bom professor, zeloso, prudente. Ótimo caráter. Sobressaía
na piedade. Era poeta. Combatia todos os tipos de relaxamento.
IRMÃO EVÊNCIO
RICARDO: Religioso e educador modelar. Fazia propaganda pela
reza do terço diário. Alegre, otimista e com vontade
firme de estudar o máximo. Zelava pela formação
dos alunos nos deveres cristãos e sociais. O Papa João
Paulo II beatificou o grupo a 10 de outubro de 1993 e fixou a festa
destes Mártires Lassalistas para 16 de novembro. |
| BEATOS E MÁRTIRES DOS PONTÕES
DE ROCHEFORT |
Fim
do século XVIII, o Instituto dos Irmãos das Escolas
Cristãs começa a dar passos ousados, criativos, em meio
a uma situação política difícil: a Revolução
Francesa. O Superior Geral, à
imitação do Santo Fundador incitava os Irmãos
a permanecerem firmes na fé, e fiéis à Igreja
e ao Papa: "O Instituto não busca o número, mas
a qualidade de seus membros. Os que permaneceram fiéis a seus
deveres de estado, estejam seguros de perseverar". Apesar da
difícil situação, eram estranhas e edificadoras
para os Irmãos as solicitações de abertura de
comunidade e de escolas. Isto tudo lhes alimentava a esperança!
A comunidade de Moulins, unânime, permaneceu
fiel à Igreja. Na pessoa do Irmão Rogério, diretor
da comunidade, os Irmãos assim respondem às ameaças
de fechamento da escola e deportação: "Vocês
são livres para fazê-lo. Eu não renego a minha
fé, meu batismo, nem meus votos religiosos, que agora me unem
mais fortemente a Nosso Senhor..." Em abril de 1793 a situação
se agrava, os Irmãos são aprisionados em distintos locais.
A matança começou! O povo é
incitado a matar os Religiosos, agora considerados inimigos.
No dia 21 de outubro, todos os encarcerados que ainda se negam a prestar
o juramento ao governo, contra a Igreja, são condenados à
deportação para a Costa da África.
Os condenados seguem uma verdadeira Via-Crúcis até Rochefort,
litoral oeste da França, donde partiriam à deportação.
Seguem em dois grupos. O primeiro parte dia 25 de novembro, neste
se encontra o Irmão Rogério. Já o segundo grupo
parte dia 28, ali se encontram os Irmãos Uldarico e Leão.
A longa viagem até Rochefort é
transformada num humilhante espetáculo, do qual os prisioneiros
são expectadores e partícipes.
Ao chegar em Rochefort percebe-se que os barcos que os transportariam
até a África não estão em condições
para realizar tal viagem. Assim, aqueles barcos negreiros, chamados
de pontões, são transformados em prisões flutuantes
sobre o mar. Antes da subida dos prisioneiros
aos barcos uma última inspeção. Devem ser recolhidos
todos os objetos religiosos. Por fim, muitas Bíblias, crucifixos,
livros de orações foram jogados ao mar... Rezar, somente
às escondidas! Quatrocentas pessoas
são amontoadas no barco "Os Dois Sócios",
entre estes estão nossos Irmãos... Sem ventilação,
sem luz, sem espaço suficiente, sem alimentação,
sem banheiros, são tratados sem compaixão. O tempo passa,
a situação se torna insuportável, e surge uma
devastadora epidemia de tifo. Aos poucos a pequena Ilha Madame foi
tornando-se cemitério de uma grande quantidade de mártires.
No dia 12 de abril de 1795 foi decretada
a liberdade para aqueles que conseguiram sobreviver. Na lista, ironicamente,
figurava o nome do Irmão Rogério. Tarde demais! Dentre
os sobreviventes ainda foi possível encontrar três Irmãos
Lassalistas. |
| A seguir apresentamos alguns dados biográficos
dos três Irmãos que sofreram o martírio nestes
navios-prisão. Aludimos à solicitude dos mesmos em servir
aos demais prisioneiros e ao silencioso padecimento, à imitação
de Cristo, pelo qual sacrificaram suas vidas, a serviço da
juventude pobre e abandonada. |
IRMÃO LEÃO
Filho de Marie e Jean-Baptiste Claude Mopinot,
Jean nasceu em Reims, no dia 12 de dezembro de 1724. Foi batizado
no mesmo dia, na Paróquia de São Tiago, pelo Padre
Huberto Vuyart. Foi aluno dos Irmãos em Thillois. Aos 19
anos ingressou no Noviciado de Santo Yon, em 14 de janeiro de 1744,
recebendo o nome de Irmão Leão. Seus Votos Perpétuos
aconteceram no dia 1º de novembro de 1749.
As leis persecutórias surpreenderam-no
septuagenário, mas cheio de vigor e entusiasmo, conforme
atestam contemporâneos, tanto assim que os revolucionários
não lhe concederam as mitigações previstas
para idosos.
Deportado, expirou a 21 de maio de 1794.
Colegas de infortúnio o sepultaram na ilha de Aix, situada
no estuário do rio Charente.
|
IRMÃO ROGÉRIO
Orleans, 25 de julho de
1745: o parto de Cathérine Legout, esposa de Pièrre
Faverge, é complicado e o recém-nascido corre perigo.
O médico recomenda, às pressas, o batismo, pois
o pior pode acontecer. O menino é batizado, recebe o nome
de Pièrre-Sulpice-Christophe Faverge. Gradativamente vai
superando o perigo, quer viver! Após estudar numa escola
lassalista, Pièrre Faverge ingressa no Noviciado de Maréville,
em 1767, quando recebe o nome de Irmão Rogério.
Após seu Noviciado, continua ali mesmo sua formação
pedagógica.
Na Revolução Francesa,
encontramo-lo como Diretor da Escola mantida pela Congregação
na cidade de Moulins, centro-sul do país. Que dizem dele
as testemunhas?
Testemunhas dizem dele: "Pessoa
excelente, cheia de virtudes. Piedoso, zeloso da instrução
da juventude, possuía, em grau icomum o dom do governo,
gozando de elevada consideração na cidade".
Fez-se servo de todos: cuidando doentes,
animando com palavras de esperança a fé dos que
sofriam pela fé; com sua alegria franca e os bons ofícios
doi admirado pelos companheiros seus de infortúnio e amigos.
Suas mãos, tão hábeis no ensino da caligrafia,
remendavam sapatos dos colegas.
Tanto a dedicação aos doentes,
como a insuficiência alimentar, prostraram-no, apenas chegado
ao hospital da Ilha Madame. Faleceu a 12 de setembro de 1794,
sendo ali sepultado.
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IRMÃO ULDARICO
Nasceu e foi batizado em
Fraisans, no dia 1º de fevereiro de 1755. No Livro de Batismo
da paróquia de Dampierre, diocese de Besançon, encontramos:
"Jean-Baptiste Guillaume, filho do matrimônio de Nicolas
Guillaume e Antonie Mignot, foi batizado no dia 1º de fevereiro
de 1755." Segundo ele mesmo, ingressou no "Instituto
dos Irmãos das Escolas Cristãs no dia 16 de outubro
de 1785, com o nome de Irmão Uldarico". Seu Noviciado
aconteceu em Maréville. Portanto, pouco tempo tinha de
vida religiosa e apostólica ao ser colhido na rede da malvadeza
revolucionária em Nancy.
Muito apegado às crianças
pobres de Nancy, permaneceu na cidade, continuando, clandestinamente,
a instruí-las na piedade, assim como na arte da leitura
e escrita, até ser preso.
No navio-prisão, ele edificou,
com a calma e a caridade, os companheiros de detenção.
Os sacerdotes enfermos e idosos tornaram-se alvo de seus cuidados
atentos e respeitosos. A vista dos sofrimentos inenarráveis
deles veio a ser um martírio para o caridoso Irmão,
consumindo-o em pouco tempo. Caiu doente. O calor canicular, fatal
a elevado número de seus companheiros, apressou-lhe a hora
da libertação.
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Ao longo do tempo a Igreja
foi reconhecendo a heroicidade de tantos mártires da Revolução
Francesa. Há outros sobre os quais, infelizmente, não
há documentos que possam comprovar o martírio pela
fé, para se encaminhar processo canônico.
Duzentos anos depois, chega o reconhecimento
para mais 64 mártires. Neste grupo estão incluídos
os Irmãos Rogério, Uldarico e Leão. Domingo,
dia do Senhor, 1º de outubro de 1995 a Igreja inteira canta,
toda cheia de alegria, pois acontece, presidida pelo Papa João
Paulo II, a solene beatificação de mais um grupo
de mártires, os quais são chamados "Beatos
Mártires dos Pontões de Rochefort".
Sua memória é celebrada
dia 2 de setembro.
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| BEATO IRMÃO ESCUBILIÃO |
Bernardo Roussseau, pessoa honrada e cristão exemplar, exercia
uma profissão extremamente cansativa: era talhador de pedra.
Bernardo e Reina são os pais de João Bernardo, o primogênito
da família, mais tarde conhecido sob o nome de IRMÃO
ESCUBILIÃO. Além de João Bernardo, o casal teve
mais três filhos: um menino e duas meninas. Apesar da luta pelo
sustento da família e de uma acentuada pobreza, era uma família
exemplar. João Bernardo nasceu
a 22 de março de 1797, em plena tormenta revolucionária
e uma violenta perseguição religiosa. Por este motivo,
o batismo do pequeno foi efetuado às ocultas, como nos tempos
das catacumbas, pois a Igreja da França vivia uma fase que
se assemelhava àquela dos primeiros cristãos. O batizado
foi feito às pressas, porque todos os sacerdotes viviam sob
estrita vigilância, especialmente o Pe. Estêvão,
por sinal muito zeloso pela salvação das almas dispersas.
Desde cedo, o jovem Bernardo compreendeu
as responsabilidades de primogênito; iniciou por encarregar-se
de cuidar carinhosamente dos irmãozinhos e auxiliar nos trabalhos,
na medida do alcance de suas forças. Com um pouco mais de idade
declarava-se inclinado para a vida religiosa. Estudou na escola pública
e, em virtude de sua aplicação, não demorou a
se tornar um valioso auxiliar do professor, sobretudo para os alunos
com aprendizagem mais difícil.
Aos 25 anos de idade deixou a casa paterna para ingressar na Congregação
dos Irmãos das Escolas Cristãs, no Noviciado de Paris.
Durante dez anos desempenhou as mais diversas funções,
sempre disponível nos vários colégios que percorreu:
professor, cozinheiro, jardineiro, horticultor. Fez um apostolado
maravilhoso nestes colégios e seu apostolado não conhecia
canseiras. Alguns anos após sua
profissão perpétua, o Irmão Escubilião
ofereceu-se para trabalhar, como missionário, na Ilha Burbon,
atualmente chamada Reunião, África. Embarcou a 20 de
abril de 1833, em companhia de dois colegas. Foram 85 dias de viagem
para chegar a São Dionísio, centro administrativo da
colônia francesa. Ao desembarcar declarou: "Nada me amarra
a este mundo; farei todos os sacrifícios para a salvação
das almas e a glória de Deus."
Nesta terra montanhosa passou 34 anos em apostolado, primeiro com
os brancos, pois era proibido instruir e catequizar os negros, que
formavam a maioria da ilha. O Irmão Escubilião encontrou
formas para abolir a distância entre ele e os oprimidos: unindo-se
a eles para dizer que eram filhos de Deus... Todos os momentos estavam
ocupados. Nunca pensou em voltar à pátria: esquecera
sua terra natal por causa de uma doação total à
terra de missão... Quando finalmente foi permitida a instrução
religiosa aos escravos, seu zelo não conheceu mais limites.
Todas as tardes, de 19h às 21h mais
de trezentos escravos se reuniam para ouvi-lo, divididos em grupos,
cada um sob a orientação de um monitor, devidamente
preparado. Como os escravos esqueciam as verdades ensinadas, o Irmão
inventava canções, frases, poemas e poesias, que repetiam
freqüentemente essas verdades, assim decoradas aos poucos.
Quando foi decretada a libertação
dos escravos a 20 de dezembro de 1848, estes estavam preparados para
assumir com responsabilidade sua emancipação. O santo
missionário estava feliz. Mas o trabalho contínuo, sem
descanso, as longas viagens e as numerosas aulas delapidaram as forças
do herói dos escravos. Faleceu a 13 de abril de 1867.
Mais de século já se passou, mas o povo não esquece
o santo protetor. Os peregrinos acorrem aos milhares e seu túmulo
mais se parece a um jardim florido. O Papa João Paulo II
o beatificou a 2 de maio de 1989.
A festa é celebrada a 13 de abril. |
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BEATO IRMÃO ARNOLDO
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Irmão Arnoldo nasceu a 2 de setembro de 1838, perto de Metz,
França. No batismo recebeu o nome de Júlio. Viveu 52
anos. Faleceu em Reims.
Filho de humilde sapateiro, era o mais velho de
nove filhos do casal Cláudio e Ana Rèche: seis rapazes
e três meninas. Em casa, sob a orientação do pai
(a mãe vivia doente), nunca era descuidada a oração
da manhã, a missa aos domingos e dias de festa e a reza do
terço em família, todas as noites. Júlio estudava
na escola pública e tinha, como aspiração freqüentar
o magistério. Mas o minguado salário do pai não
atendia as necessidades da casa e Júlio teve de abandonar os
estudos e empregar-se numa fazenda a fim de ajudar nas despesas da
casa. O dono das terras estava feliz com ele: "Nunca mais terei
um empregado como o Júlio, disso tenho certeza".
Com esse trabalho o jovem ficava em contato com
a natureza, e este fato marcou-o pelo resto da vida. Mas, procurando
ganhar um pouco mais, conseguiu emprego em Charleville. Ajudou a construir
a belíssima igreja. O tempo livre ele o passava em oração
pessoal e na preparação de alguns jovens para a Primeira
Eucaristia. Um socialista que o conhecia bem disse dele: "excelente
rapaz, trabalhador, responsável e amigo. Mas é santo
demais!"
À noite ele freqüentava as aulas dos
Irmãos Lassalistas, onde aprendeu a apreciar seus mestres e
a admirar-lhes a vida. Acabou pedindo admissão na Congregação.
Fez o Noviciado em 1862 e após a conclusão dos estudos
iniciou o segundo período de sua vida: o de religioso-educador.
Ficou quatorze anos lecionando, como excelente professor de pensionistas,
e dedicou doze anos aos jovens que se preparavam para ingressar na
Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs,
como Mestre de Noviços.
Apesar de seu passado, este bom camponês
se converteu num dos melhores professores de uma instituição
docente de renome. Sobretudo foi um exímio professor de jardinagem
e de agricultura. Todos louvavam seu saber e os conhecimentos gerais.
Sua abnegação era algo extraordinário. Entre
os Irmãos era humilde, perdido em Deus e caridoso com todos.
Sobretudo as aulas de religião revelavam seu zelo apostólico
mais ardente e inventivo.
Na Guerra de 1870 serviu como enfermeiro voluntário
no front. Por isso, o Irmão Arnoldo foi condecorado, ressaltados
os seus atos de bravura, a sua dedicação e o seu heroísmo.
Seus doze anos de Mestre de Noviços foram
anos de intensa vida espiritual, de oração, de humildade
e penitência, dedicação aos formandos. Suas devoções
principais foram a Eucaristia e a Santíssima Virgem.
No mês de novembro de 1888 adoeceu gravemente,
em parte por contaminações durante a Guerra de 1870.
Mas a sua força de vontade o fez trabalhar por mais um ano
em seu ministério. Substituído, ocupou-se com os cuidados
do jardim e dedicou-se de maneira especial aos Irmãos mais
idosos de Reims. Para ele mesmo, nada foi poupado para que a saúde
se restabelecesse. Ficou, inclusive, uma temporada nas águas
minerais de Mont Dore. A obediência ao enfermeiro e ao médico
indicavam o suficiente a submissão do doente à Vontade
de Deus.
Na volta ao Colégio, ao passar junto a um
professor que corrigia os trabalhos dos alunos, lhe segredou: "Ofereça
seu trabalho a Deus, por seus alunos."
A 23 de outubro de 1890, sofreu o Irmão
Arnoldo um derrame cerebral. Teve, no entanto, ainda forças
suficientes para ir até a capela, a fim de fazer uma visita
a Nosso Senhor. Levado ao quarto, recebeu os santos Sacramentos e
faleceu placidamente.
A 1º de novembro de 1987, foi beatificado
pelo Papa João Paulo II e sua festa é celebrada em 23
de outubro. |
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BEATO SALOMÃO LECLERQ
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Nosso glorioso primeiro mártir da Congregação
dos Irmãos das Escolas Cristãs, Beato Irmão Salomão
Leclerq, nasceu a 15 de dezembro de 1745, em Boulogne-sur-Mer (França).
No batismo recebeu o nome de Nicolau. Não existe foto dele;
mas pelas descrições podemos imaginá-lo de corpo
robusto, estatura bastante elevada, enérgico, franco e sereno,
como filho de família burguesa, da orla marítima. Ele
levou consigo para a vida religiosa a intrepidez, o equilíbrio
e a resistência robusta de sua família. Seu aspecto físico
é o de um atleta, pronto para os duros problemas que teria
de enfrentar.
A Revolução Francesa o surpreendeu
no cargo de Secretário do Superior Geral dos Irmãos
das Escolas Cristãs, Irmão Agatão. Durante todo
o tempo de perseguição à Igreja da França,
ele se distinguiu como ardoroso propagandista das diretrizes do Papa
e das publicações contrárias ao juramento revolucionário
(desobediência ao Papa). Esta atitude tão valente e cristã,
por diversas vezes quase o levou à prisão. Livrou-se...
confiando somente na proteção divina.
Mas a 15 de agosto de 1792, segundo carta à
sua irmã, cujo original está guardado no Museu de Cambrils,
confessa-se disposto a sofrer por Cristo, apesar de ele mesmo se achar
indigno desta honra. Este trecho já é um verdadeiro
testamento do Irmão Salomão. Fazia 25 anos que ele se
dedicava ao serviço do Senhor, nas obras da Congregação;
mas os laços familiares, com todos os membros de sua família,
continuavam afetivos e ternos. A vida religiosa, antes, os reforçou
e aprofundou.
Mas a hora de Deus estava se aproximando, como
o recorda um Irmão Lassalista, em carta à Família
Leclerq, a 22 de agosto de 1792, onde dizia: "No dia 15, cinqüenta
homens da guarda nacional invadiram a casa onde residia o Irmão
Salomão, revistaram tudo durante quatro horas e, afinal, levaram
o Irmão preso e o encarceraram na igreja dos Carmelitas, juntamente
com uma centena de outra pessoas. Consegui falar com ele, mas por
pouco tempo, pois os guardas nos obrigavam a comunicar-nos em voz
forte e por tempo bem limitado. O Irmão Salomão está
muito bem disposto e aceita, muito agradecido a Deus, a ocasião
de poder sofrer algo por Ele. As prisões continuam se multiplicando;
cabeças são cortadas sem parar. Esta é a situação
atual."
Apesar de um quadro tão triste e violento,
o bom Irmão continuou visitando o detento e sempre procurou
tranqüilizar a família Leclerq: "O Irmão Salomão
envia um abraço para todos..."
Em breve, todas as ilusões se desvaneceram.
A 2 de setembro, ante o boato da aproximação das forças
armadas, o Irmão Salomão é convocado perante
o júri, para um simulacro de julgamento. Todas as pessoas que
haviam recusado prestar o Juramento da Constituição
Civil do Clero foram barbaramente trucidadas, uns a tiros de escopeta,
mas a maioria tivera seus crânios esfacelados com machados,
picaretas, barras de ferro e outros utensílios que estes sedentos
de sangue traziam nas mãos como armas. No meio dessa hecatombe,
tombou o Irmão Salomão Leclerq. O local do massacre
foram os jardins e os pátios do Convento dos Carmelitas, na
porta dos fundos da igreja.
Uma simples lápide de mármore recorda
o fato, acontecido a 2 de setembro do ano de 1792, com os dizeres
em latim: "Aqui foram trucidados". O Papa Pio XII proclamou
Beatos o Irmão Salomão e seus companheiros mártires,
a 17 de outubro de 1926.
A festa do Beato Irmão Salomão é celebrada
a 2 de setembro.
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BEATOS MÁRTIRES DE VALÊNCIA
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Homens
de fé, caminho do Evangelho
Beatificados pelo Papa João Paulo II, a 11 de março
de 2001
A semente plantada por La Salle germinou
e produziu abundantes frutos.
Os cinco Beatos eram membros do Instituto dos Irmãos das
Escolas Cristãs. Sua única preocupação
era seguir a Jesus na vocação em que os havia chamado:
santificar-se educando os meninos e os jovens, ensinando-lhes a
viver cristãmente.
Quando começou a perseguição
religiosa na Espanha, trabalhavam eles tranqüilamente nas instituições
educacionais da Província Lassalista de Barcelona. Viajaram
para Valência para cumprir uma obrigação própria
de seu labor educacional quando o Senhor os chamou para darem seu
testemunho extremo. Os verdugos nem os conheciam. Ao saberem que
eram religiosos, consideraram isto pretexto suficiente para detê-los
e justiciá-los.
Os mártires são sinal da Igreja, Corpo de Cristo,
que continua sendo perseguida e condenada à morte em seus
membros. Mas estes olham fixamente para a aurora gloriosa da ressurreição.
É esta a lição que
nos dão os mártires, tanto os de ontem, como os de
hoje. Devemos estar dispostos a imitar-lhes a generosidade.
Os Irmãos Florêncio Martín,
Bertrán Francisco, Antônio León, Elías
Julián, Donato Andrés e o Pe. Leonardo Buera, capelão
do colégio de Bonanova, entregaram suas vias por terem sido
fiéis à sua condição de ministros e
embaixadores de Jesus Cristo.
Embora sabendo que a afirmação de sua condição
de religiosos os levaria à morte, não duvidaram a
confessar sua fé em Jesus e sua pertença ao Instituto
dos Irmãos das Escolas Cristãs.
Estes cinco Irmãos - agora novos
Mártires - não tinham outra ocupação
senão seguir Jesus Cristo na vocação a que
ele os havia chamado: procurar a salvação dos meninos
e jovens, para sua plena realização, como seres humanos,
como cristãos.

Com esta beatificação, seus
nomes passam a aumentar a constelação de santos e
beatos do mundo lassalista. Começando por La Salle - nosso
Fundador - e, posteriormente, pelo Ir. Salomão Leclerq -
primeiro Irmão Mártir, durante a revolução
francesa - dão-nos a garantia de que a fidelidade ao Senhor
no caminho da educação integral dos meninos, das meninas,
dos jovens e moças constitui um caminho de Evangelho.
Jovem, professor, professora, colaborador
lassalista, pai de família: esta mensagem te convida também
a ti a entregares tua vida pelo Reino, no estado de vida que escolheste,
na profissão que desempenhas. A causa do Reino faz que nossa
vida adquira a dimensão religiosa que é fonte de alegria
e fortaleza permanente, ainda ante as mais duras provas da vida.
Junto com os novos beatos lassalistas,
fazemos e guardamos memória de outros muitos mártires
aos quais arrancaram violentamente as vidas pela única razão
de serem anunciadores de Jesus Cristo. Recordamos nossos mártires
da França, do México, das Filipinas, da Polônia,
do Vietnã, da Guatemala, da Colômbia e da Espanha.
Também veneramos a memória de tantos Irmãos
e Colaboradores que deram sua vida gota a gota, dia a dia, passo
a passo, como um pedaço de giz no quadro verde, no anonimato
da fidelidade diária.
E ressoa aos nossos ouvidos e nosso coração, a voz
familiar de nosso Fundador, que nos diz: "Toda gratidão
que devem esperar por haverem instruído os meninos, sobretudo
os pobres, são injúrias, ultrajes, perseguições
e a própria morte: é a recompensa dos santos e dos
homens apostólicos, como foi Jesus Cristo, Senhor nosso"
(M 155, 3).
Região onde floresceram nossos mártires
e circunstâncias
em que ofereceram suas vidas
A Província
de Barcelona
Um ano após a chegada dos Irmãos
das Escolas Cristãs à Espanha, três Irmãos
fundam a primeira comunidade de Irmãos em Barcelona, a 9
de fevereiro de 1879. Os Irmãos atendiam uma pequena escola
com 96 alunos à rua Pont dela Parra, 3.

Ao longo de toda a geografia espanhola,
especialmente na Catalunha, tanto na cidade de Barcelona, quanto
em outros povoados vizinhos, sucediam-se as fundações
lassalistas. Os Irmãos atenderam os pedidos para a abertura
de novas escolas. Em 1892, o número de obras lassalistas
era tão elevado, que os Superiores decidiram dividir a antiga
Província da Espanha nas Províncias de Madri e Barcelona.
Um novo acontecimento inesperado faria com que
as comunidades de Irmãos e as novas obras aumentassem em
grande número no começo do século. A lei do
ministro francês Combes proibiu o ensino a todas as Congregações
religiosas na França. Nestas circunstâncias, um numeroso
grupo de Irmãos decidiu cruzar a fronteira e instalar suas
casas de formação e novas escolas na Catalunha e em
outras cidades da Espanha. Em 1904, se criaria a primeira comunidade
de Irmãos nas ilhas Baleares.
Os Irmãos exerceram seu apostolado
educativo com muita dedicação e empenho durante muitos
anos, obtendo muito êxito e o reconhecimento da sociedade
espanhola.
O conflito da guerra
civil
Em 1931, complica-se a situação
política na Espanha. O rei Alfonso XIII deve fugir da Espanha
ante a instauração da República. Começa
um período complicado da história da Espanha. A República
elabora uma Constituição que excluía a tolerância
e o respeito e tinha marcado caráter anti-religioso. A situação
política não é estável, sucedendo-se
governos de direita e de esquerda. O povo vai-se polarizando para
um lado para um lado ou outro do arco político. Para os partidos
de esquerda (socialistas, comunistas, anarquista), a Igreja não
é uma instituição neutra e, sim, está
a favor dos partidos de direita. Portanto, cada vez que chegam ao
poder, suas leis são de caráter anti-religioso. A
situação chega a ponto de alguns elementos radicais
de esquerda realizarem ações descontroladas e criminosas,
como, por exemplo, o incêndio do Colégio Maravilhas
de Madri, ou o assassinato dos Irmãos e do capelão
da comunidade de Turón na revolução das Astúrias.
Em 1936, todas as forças de esquerda
unem-se nas eleições numa coalizão chamada
"Frente Popular". Ganham com grande vantagem. A partir
deste momento, generalizam-se em toda a Espanha o descontrole e
o desgoverno e sucedem-se os assassinatos entre os dois bandos.
Os mais conhecidos são os do Tenente Castilho e do Deputado
Calvo Sotelo.
A 18 de julho de 1936, o General Franco
começa um levantamento militar. Parte dos militares se unem
a ele e outro grupo permanece fiel à República. A
Espanha divide-se em duas e começa a triste guerra civil
espanhola. Guerra entre irmãos que provocaria centenas de
milhares de mortes nos quase três anos que durou.
Ao começar a guerra, assassinatos,
fuzilamentos, perseguições eram habituais em ambos
os lados. Pelo lado republicano, começou uma "época
de caça e captura" contra todos os que pertenciam à
Igreja católica. Entre padres, religiosos, religiosas e leigos,
sob acusação de serem "fascistas", foram
assassinados uns 7.000. Neste grupo tão numeroso, de verdadeiros
mártires, encontra-se um grupo de mais de 150 Irmãos
das Escolas Cristãs. Concluída a Guerra Civil, começou
o longo processo de beatificação.
A Província
de Valência-Palma
Em 1955, a Província de Barcelona - que,
neste momento, tinha mais de sessenta obras educacionais - decidiu
dividir-se e formar as Províncias de Valência e Barcelona.
Hoje, a Província de Valência-Palma compreende as obras
educativas de Teruel (lugar do nascimento dos cinco Irmãos),
a Comunidade valenciana e as Ilhas Baleares.
Nossos Irmãos foram beatificados
com um grupo de duzentos e vinte e seis sacerdotes, religiosos,
religiosas e leigos da Diocese de Valência, pois foi nesta
diocese que sofreram o martírio. D. Garcia Gasco, Arcebispo
de Valência, realizou um trabalho muito profundo na busca
de informações sobre os mártires e nas revisões
legais do processo. |
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ORAÇÃO DOS BEATOS
IRMÃOS MÁRTIRES DE VALÊNCIA
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| Senhor
Deus,
fonte e origem de toda a bondade,
que fizeste de teus servos
Florencio Martín,
Bertrán Francisco, Ambrosio León,
Elías Julián e Honorato Andrés,
Irmãos de La Salle,
insignes educadores da fé
e fiéis servidores do Evangelho
até o derramamento do próprio sangue,
concede-nos por Jesus Cristo, teu Filho,
a fortaleza de imitá-los
em seu serviço generoso aos homens
e em sua fidelidade no testemunho de teu nome.
Por nosso Senhor, Jesus Cristo.
Amém.
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