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QUEM SOMOS

Natureza

01. A escola lassalista é uma escola católica, orientada pelo Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs, denominados, também, Irmãos Lassalistas.

Origens

02. As escolas católicas Lassalistas nasceram em 1680, na cidade de Reims, França, e têm como seu Fundador São João Batista de La Salle (1651-1719).

Fatos a destacar na vida de La Salle

a) Família

03. Pertencente a uma família rica e muito cristã, João Batista de La Salle nasceu em Reims no dia 30 de abril de 1651 e faleceu em Ruão, em 07 de abril de 1719. Era o primogênito de 11 filhos. Seu pai, Luís de La Salle, era Conselheiro de Luís XIV para a região de Reims e sua mãe, Nicolle Moët de Brouillet, filha de nobres. Além de La Salle, mais dois de seus irmãos escolheram a vida sacerdotal e uma das irmãs, a vida religiosa.

b) Infância e Juventude

04. Aos 11 anos, João Batista decidiu ser sacerdote. Aos 15, já integrava o grupo de cônegos da catedral de Reims. Seguiu seus estudos de filosofia e teologia em Reims e em Paris. Aos 21 anos, perdeu o pai e a mãe e assumiu a responsabilidade plena por seus irmãos, irmãs e pela casa. Continuou, porém, na sua vocação e, com 27 anos, foi ordenado sacerdote.

c) Inícios da Obra Lassalista

05. Em 1678, logo depois de sua ordenação sacerdotal, La Salle assume a orientação da Congregação Religiosa das Irmãs do Menino Jesus, para a educação de meninas pobres, fundada por seu Orientador Espiritual Padre Nicolau Roland, que acabara de falecer e lhe pedira este favor.

06. Na escola das Irmãs, La Salle recebe, em março de 1679, a visita do professor Adriano Nyel, vindo de Ruão, com recomendação da Sra. Maillefer, prima de La Salle, para estabelecer em Reims escolas para meninos pobres.

07. La Salle dá apoio à iniciativa de Nyel, mesmo tendo de enfrentar dificuldades com seus familiares, porque passou a alojar em casa tanto Nyel como os primeiros professores recrutados e que eram de classe social muito pobre. A primeira escolinha foi aberta no dia 15 de abril de 1679, na paróquia São Tiago.

08. Em 1680, percebendo as improvisações de Nyel, La Salle assume a coordenação das pequenas escolas e passa a dar-lhes orientação como escolas da Igreja. Preocupa-se principalmente com a formação dos professores, pois na época nada havia para eles, recrutados entre voluntários. O sucesso aparece logo e mais escolas são fundadas. La Salle percebe que, sem uma associação solidamente constituída, a pequena rede de escolas não teria consistência e continuidade. No dia 24 de junho de 1682, ele deixa a sua família e vai morar com os professores numa casa alugada e começa a ajudá-los na formação de uma associação educativa.

d) Dificuldades e perseguições

09. Após um certo tempo, alguns dos dez professores sentiram que as exigências da vida comunitária, em estilo conventual, eram muito fortes para eles e abandonaram a obra. Novos voluntários, porém, não tardaram a aparecer. La Salle conseguiu deles a adesão a um estilo de vida e docilidade às suas orientações pedagógicas e espirituais. Assim, em 1684, com doze dos mais de trinta professores, num retiro de dezessete dias, La Salle estrutura a nova Associação, que passa a ser denominada Sociedade dos Irmãos das Escolas Cristãs.

10. Os membros da nova Associação se decidem pela consagração a Deus e fazem voto de associação para o serviço educativo dos pobres e de obediência à vontade de Deus e às normas de organização interna da associação. Assumem, então, um estilo de vida próprio, distinguindo-se tanto dos sacerdotes como dos seculares ou leigos. Dedicam-se integralmente à vida de oração, à fraternidade entre si e à missão cristã de educar segundo os valores do Evangelho, prioritariamente os pobres. Desejam testemunhar Jesus Cristo Mestre, totalmente consagrado ao Pai e à salvação do mundo.

11. A confiança em Deus, a coesão interna do grupo e a certeza de que a missão era importante geram o grande sucesso da nova Associação. As perseguições não demoram, vindas de todos os lados. São lideradas especialmente pela Associação dos Mestres em Caligrafia, em parte donos do ensino particular da época. As escolas de La Salle são muitas vezes saqueadas, fechadas, incendiadas e ele mesmo é processado. Apesar disso, a obra floresce e se consolida.

e) Consolidação e futuro

12. La Salle insiste com os Irmãos para confiarem em Deus, que nunca abandonaria uma obra tão importante para o Estado e para a Igreja. Eles, porém, lhe dizem: "Para o senhor é fácil confiar, pois é rico e tem como sobreviver, mas se nossa obra fracassar, nós ficaremos na pior". Ele resolve, então, abdicar de todas as suas riquezas e seguranças e viver efetivamente pobre como os Irmãos. Em 1691, ele e dois Irmãos fazem um "Voto Heróico" de jamais desistir da obra, custe o que custar, mesmo que para isso tivessem de pedir esmolas e viver a pão e água.

13. La Salle dedica o restante de sua vida a consolidar o Instituto nos campos espiritual, pedagógico, organizativo e administrativo. Convence os Irmãos a escolher um deles para a chefia geral do Instituto. Visita as escolas, prega retiros, escreve cartas e diversos livros, especialmente meditações, livros para o ensino da religião e vários de caráter didático, e, com a colaboração dos Irmãos, um marcante manual de pedagogia e administração escolar, denominado “Guia das Escolas".

14. Em 1719, ao falecer em fama de santidade, havia, na França, 22 Escolas Cristãs, 100 Irmãos Lassalistas e uma escola em Roma como sinal de fidelidade à Igreja Católica. Naquela época havia, na França, um forte movimento por uma Igreja Católica nacionalista (Galicanismo). E os católicos viviam pressionados por mais duas correntes, competindo entre si: o Jansenismo, que propunha um exigente rigorismo na doutrina e na prática do cristianismo, e Quietismo, que pregava a passividade na fé, porque Deus já nos havia salvo.

15. La Salle foi um homem muito atento ao seu tempo, dominado na França pelo rei Luís XIV, o Rei Sol. A França vivia o paradoxo de crescente pobreza do povo (guerras, carestias diversas, falta de atenção aos pobres por parte da Corte) e, ao mesmo tempo, os grupos sociais já ricos se enriqueciam cada vez mais. A época de Luís XIV e de La Salle foi de aceleradas mudanças no pensamento e na cultura: em literatura, música, teatro, filosofia, ciências em geral. Este desenvolvimento aconteceu, também, no mundo religioso. A história registra o final do século XVII e os inícios do século XVIII, como o século das luzes.

16. Quase dois séculos depois, em 1900, no dia 24 de maio, La Salle foi proclamado, pelo Papa Leão XIII, herói nas virtudes cristãs, ou seja, Santo. E sua festa litúrgica ficou sendo o dia 15 de maio. E em 1950, às vésperas do tricentenário de seu nascimento, o Papa Pio XII o proclamou Patrono Universal dos Educadores Cristãos, homens e mulheres. Depois do Concílio Vaticano II, a festa litúrgica de La Salle passou para o dia 7 de abril, data de sua morte, mas, por muitas vezes coincidir com a Semana Santa, o Instituto recebeu autorização para continuar comemorando-a no dia 15 de maio.

f) La Salle hoje

17. No decorrer do século XX, as escolas lassalistas, que eram só para meninos e unicamente tendo à sua frente Irmãos Religiosos, passaram a ser mistas e a aceitar, no quadro docente, nas coordenações e na direção, Leigos e Leigas, aos quais se oferece a possibilidade de, mantendo-se como Leigos e Leigas, assumirem voluntariamente, como opção de fé, aspectos da espiritualidade, da pedagogia e da missão lassalista. É o que se denomina “Missão Partilhada”.

18. Para voluntários da grande Família Lassalista, o Instituto, no 43º Capítulo Geral, em 2000, passou a possibilitar uma vinculação especial a La Salle. Os que se sentem chamados vocacionalmente a se associar num compromisso lassalista de “Associação para o serviço educativo dos pobres”, à semelhança e em cooperação com os Irmãos, o Instituto oferece a possibilidade de ser membros associados. Isso enriquece e amplia ainda mais o serviço educativo aos pobres segundo o carisma de La Salle. A modalidade prática de como ser membro associado lassalista, devido à novidade que representa e às possíveis implicações jurídicas, está em estudo e em experimentação.

19. Atualmente o Instituto Lassalista está em 82 países, com mais de 63.000 professores e professoras, 6.000 Irmãos e mais de um milhão de alunos em todos os tipos de escolas, de obras culturais e de assistência social de cunho educativo.

20. No Brasil, os Irmãos se estabeleceram em 1907, no Rio Grande do Sul. Desde 1959 há duas sedes administrativas, denominadas Províncias. A Província de Porto Alegre mantém obras no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Amazonas, Pará, Maranhão e Distrito Federal. A Província de São Paulo se faz presente no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Tocantins e Distrito Federal, com um início em Sergipe. As duas Províncias juntas coordenam a obra missionária lassalista em Beira, Moçambique.

21. Por exigência das leis brasileiras, as duas Províncias se organizaram em entidades civis. Assim, a Província Lassalista de São Paulo é, ao mesmo tempo, Associação Brasileira de Educadores Lassalistas (ABEL), com estatuto jurídico específico e todos os registros e documentos em conformidade com a legislação sobre o assunto.

22. Além do Instituto dos Irmãos Lassalistas, são considerados associados lassalistas:
   - as Irmãs Guadalupanas de La Salle, com comunidades no Brasil desde 1991. Este Instituto foi fundado em 1948, no México, pelo Servo de Deus Irmão Juan Prosper Fromental Cayroche, familiarmente chamado de Irmão Juanito.
   - as Irmãs Lassalianas do Vietnã, fundadas em 1952 pelo Irmão Bernard Lê-Van-Tam.
   - a União de Catequistas de Jesus Crucificado e de Maria Imaculada, um Instituto Secular fundado pelo Venerável Irmão Teodoreto Garberoglio, em Turim, Itália, aprovado pela Igreja em 1914, e que já possui um núcleo, desde 1998, com sete membros, em São Paulo, SP.
   - a Fraternidade Signum Fidei, uma organização mundial para leigos e leigas engajados no carisma lassalista, fundada em 1976 pelos Irmãos Paulus Adams e Manuel Olivé. A Signum Fidei funcionou em nossa Província por cinco anos, em começos da década de oitenta, mas não teve continuidade. A de maior número de membros Signum Fidei está nas Filipinas e no Peru, com cerca de 300 em cada um deles e assumindo o controle de várias obras educativas próprias, segundo o carisma lassalista.


 

 
 
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